20/10/2021

Coluna Thaís Navarro: Chief of Staff

Parei para pensar! “chief of staff”: o poder corrompe?

*Esse texto contém spoilers moderados de Chief of Staff parte 1

Sempre ouvimos que quando se trata de política, que mesmo uma pessoa bem intencionada pode ser corrompida pelo sistema. Então quando começamos um drama político, já esperamos esse tipo de atitude de alguém com um espírito bondoso e que anseia mudanças. E também sentimos aquele medo, de que o personagem possa se corromper e ficar igual à maioria.

Mas logo no primeiro episódio de Chief of Staff me deparo com um homem determinado, ambicioso e nada modesto. Ele já foi policial e tem desejo de fazer uma nova política para o país, mas em momento algum ele esconde que quer ser deputado. Não se apresenta como salvador ou herói, e é justamente por esse motivo que ele se torna um.

Admirado pelos seus colegas e até por pessoas fora da câmara dos deputados, ao que tudo indica ele se tornará um salvador. Alguém diferente dos demais.

No primeiro episódio temos uma cena onde Jang Tae Jun (Lee Jung Jae) corre pelo cenário sombrio enquanto narra sua filosofia de vida durante uma entrevista. Ele diz: “Duvide de tudo. Confie na situação, não na pessoa. Não mostre sua fraqueza. Pense e analise o tempo todo. Não faça escolhas das quais se arrependerá mais tarde e use essas regras acima mencionadas para transformar ideais em realidade.”

Elegante e inteligente, os episódios de Chief of Staff nos apresentam a um mundo de políticas cheias de personagens moralmente cinzentos, todos lutando pelo poder. Puxando a cortina um pouco para trás, o drama destaca os que estão nas sombras e os esquemas traçados em segredo. Embora o público veja as imagens cuidadosamente construídas dos políticos e suas agendas, a jornada para esses produtos finais geralmente é repleta de intrigas e enganos. No final, a política é um poço de cobras que as pessoas pulam de bom grado para o grande prêmio no final da batalha: um distintivo pequeno e dourado representando poder e prestígio.

Diante disso, comecei a questionar justamente o que pensava no início. Seria então o poder capaz de corromper Tae Jun?

Se trato como verdade que: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus.”

Então quem se responsabiliza?

Para explicar qual a conclusão que cheguei, trouxe alguns contra exemplos:

– Poder é a capacidade de se fazer algo, sendo assim: mães têm poder sobre a vida e a morte de seus filhos. Elas controlam o que as crianças comem, decidem como protegê-las de predadores e do clima, e moldam seus pensamentos e sentimentos. As mães são corrompidas por esse grande poder?

– Professores têm muito poder sobre seus alunos. Com sua plataforma e sua audiência cativa, os professores podem instigar o medo de notas ruins e doutrinar seus alunos. Esse poder corrompe os professores?

Não, é claro que não. A maioria das mães e dos professores usa seu poder para o bem, para maximizar suas habilidades, enquanto uma minoria usa-o para o mal. Logo, não pode ser a posse do poder a causa do abuso. O que dizemos, corretamente, nos casos de maus tratos ou ensino de má qualidade é que o caráter dos envolvidos é corrupto.

Se o poder corrompe as pessoas, então as pessoas praticam a corrupção têm uma desculpa — o poder me fez agir assim.

Considere outros contraexemplos:

– O dinheiro é poder econômico. Adquirir riqueza torna uma pessoa imoral?

– Músculos são poder físico. A musculação transforma alguém em um valentão?

– O conhecimento é poder intelectual. Um PhD o transforma em um gênio do mal?

A posse do poder, então, não é o fator principal: o caráter da pessoa é decisivo. O poder é a capacidade. Como tal capacidade é usada depende do usuário. Literalmente, o poder corrompe diz que o poder é o agente e a pessoa é o meio pela qual o poder é exercido. Mas isso reverte a ordem casual. A pessoa é o agente causal, a manifestação do poder é o efeito.

O que gosto mesmo nesse drama é a falta de previsibilidade, afinal eu nunca sei se Jang Tae Jun vai ir contra sua moral ou a favor dela. Seus movimentos não são previsíveis em nenhum momento do drama.

Então seguimos esperando Tae Jun provar qual é o seu caráter, só assim poderemos julgar exatamente o que o corrompeu. E se ele foi corrompido. Afinal, o que se passa na cabeça de Jang Tae Jun?

É bom lembrar que não existem heróis e vilões na vida real, mas sim lados diferentes da mesma história.

A segunda temporada de Chief of Staff, se inicia dia 11 de novembro na Netflix.

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