27/10/2021

“Coluna Thaís Navarro: The Witness”

Parei para pensar! “the witness”: você pode contar com os seus vizinhos?

*Esse texto contém spoiler moderados sobre o filme The Witness

Por morar em uma cidade do interior, me sinto privilegiada por conhecer a maioria dos meus vizinhos. Porém, esse não é o caso de Sang Hoon, interpretado pelo talentosíssimo Lee Sung Min.

Ele se muda com a sua família para um condomínio, sua casa própria, adquirida com muito trabalho e esforço. O apartamento é muito bonito e ele e sua família estão contentes com a mudança. Mas um acontecimento chocante, com o poder de te prender no filme, muda tudo!

Após presenciar um crime, que ele poderia ser testemunha e ajudar a identificar o criminoso, nos deparamos com o dilema que o personagem Sang Hoon passa.

Numa sociedade onde a profissão vem antes do nome ao se apresentar a um desconhecido, fica claro que quem você representa é mais importante do que quem você realmente é.

Isso por si só já vai definindo o conceito de que você é o que tem. E com isso acontece a supervalorização da reputação.

Caso Sang Hoon, apoie a investigação ele não só corre risco de vida, porque o criminoso pode querer se vingar dele e da sua família, mas também haveria a desvalorização do imóvel já que o bairro seria considerado violento.

Os crimes não param e Sang Hoon acaba se envolvendo cada vez mais.

Jae-Yeob (Kim Sang Ho) é um detetive determinado, e contamos com ele para que as coisas se resolvam. Mas o que a polícia pode fazer sem o auxílio de uma testemunha? O que é ser um bom vizinho nessa situação?

Essa discussão proposta no filme é tão importante, que mesmo que você fique curioso sobre o passado do serial killer ou ainda queira saber sua motivação, o dilema sobre testemunhar o que o vizinho sofreu e colaborar com a investigação é sufocante. Colocaria sua família em risco para ajudar um vizinho? O suspense complexo te deixa apreensivo e intrigado.

A associação do condomínio é cruel e egoísta, retratando como a sociedade sul-coreana se tornou crítica e individualista com o passar do tempo.

A atuação do elenco e a direção é excepcional, nos transformando em moradores do condomínio, observando pela janela tudo que está acontecendo.

Mas será que a política do “É cada um por sí” funciona?

Olhar para o próprio umbigo nos impede de enxergar um universo muito vasto de possibilidades. E não se engane, isso não acontece só nessa situação. Você conhece pessoas assim ou já foi uma delas em algum momento.

Viver em sociedade, como diz a própria origem da palavra, pressupõe reconhecimento de uma coletividade e colaboração mútua. Só assim é possível viver em paz.

Se você gritasse por socorro em uma noite qualquer, quantos vizinhos viriam te ajudar?

Me conta sua opinião.

The Witness está disponível na Netflix.

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