27/01/2022

Resenha: Persona

— Análise Crítica por Aline Silva e Rez —

Persona é uma série de quatro curtas (cada episódio tem menos de 30 minutos) que estão disponíveis na Netflix e são estrelados pela IU. Depois de muita expectativa, ocorreu finalmente a estréia. Observamos que várias pessoas ficaram confusas, outras disseram que não gostaram.

E você? O que achou? Compartilha conosco.

O que nós, das Coreanas de Taubaté, percebemos foi que dependendo do roteirista, o curta foi mais profundo do que aparentava. Principalmente o primeiro curta. Ele continha algumas referências que estavam subentendidas. Outro ponto que precisa deixar claro é que os curtas não tem nenhuma correlação entre si. São quatro estórias independentes.

Comentamos as nossas impressões sobre cada um deles abaixo.

(Pode conter Spoilers)

love set

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Esse curta foi o que achamos mais intenso!

E então, amiga Coreana? Do que se trata?

Esse curta se trata de uma relação homo afetiva. Calma. Nós vamos explicar.

Inicialmente, você pensou que era um jogo de duas mulheres lutando pela atenção de um homem, certo? Nós também. No entanto, quando fomos analisando as referências, vimos que não tinha nada a ver:

1. O curta se inicia com a IU comendo um pêssego. O pêssego é uma fruta suculenta que frequentemente é comparado com a vagina, pois a sua estrutura interna lembra o órgão sexual feminino, sem contar que o caldo da fruta pode remeter a secreção vaginal (quando as pessoas têm prazer).

2. Os gritos que a Doo Na x “pai” da IU” dão quando jogam e da DooNa x IU”, são diferentes. Com o homem, os gritos são mais estridentes e risonhos, no entanto, quando as duas jogam uma contra a outra podemos perceber que o som da cena muda e se transforma em um som totalmente sexual, sim, são gemidos de prazer.

3. As várias cenas onde mostra o suor das duas não são por acaso. O foco na boca, nas saias, o encostar dos dedos da Doo Na com a IU, eram sim de pessoas que tinham certa intimidade.

4. Era literalmente um “jogo do amor” (assim traduzido pela Netflix), a DooNa representa aquela pessoa da relação que é mais experiente, a IU tenta se impor na relação (cutucando ela, levando um homem para a distrair), mas a DooNa a desafia para um duelo no qual ela sabe que ela vai ganhar. Nessa parte a mesma até diz que se IU ganhar, ela não se casa com o pai dela e depois fala “e se eu ganhar eu não caso com o seu pai” então para ela, não estava nos seus planos ficar com o homem em hipótese alguma, mas para cutucar IU ela muda de ideia e fala que se ela perder, ela tem que se casar com o gringo.

5. É um pouco polêmico, diz respeito ao machucado da IU quando ela cai, li em um lugar falando que era possivelmente “o sangue após a perda da virgindade”, sinalizando que a IU tinha perdido sua inocência para a DooNa. Entretanto nós, do Coreanas, temos a nossa dúvida quando a isso, então só estamos falando que é uma possibilidade. Mas não descartamos que possa ter um significado mais de “saindo machucada de uma relação” ou “resultado da obstinação da IU ao jogo…”.

6. No final vemos a DooNa tendo uma certa “pena” da IU nessa situação e devolve a bola para ela, como se ela estivesse no controle agora para dar continuidade ao jogo.

conquistadora

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Como o próprio nome diz se trata da IU interpretando o papel de uma conquistadora. A estória desse curta é construída em cima de uma relação entre uma mulher mais jovem e um homem mais velho que larga um relacionamento estável com a ex-noiva para ficar com a mulher mais nova, alma aventureira e misteriosa, pois estava apaixonado.

No entanto, a moça mais nova não tem a mesma consideração pelo namorado que a ex-noiva.

Bom, no começo, é nós apresentado que ela fez uma viagem e não o avisou, depois descobrimos que foram com amigos para um lugar paradisíaco e meio erótico. Durante a conversa ela entrega uma caixinha para ele e ele quando ia abrir, ela diz para ele abrir depois, só quando ela for embora. E ele assim o faz.

O rapaz fica com muito ciúmes mas tenta se controlar. A mulher então tenta o testar de todas as formas para fazer ele perder a cabeça mesmo (como por exemplo: conversa pouco e olhando no telefone, mais tarde diz que vai ao banheiro e ele percebendo a demora vai confirmar se ela está bem e a vê beijando outro, etc).

Ela o considera como namorado, mas ela tem vários ao mesmo tempo, e se comporta como: não lhe devo satisfações (ela ainda fala uma hora para ele: você não gosta que eu seja misteriosa? Você gostava disso em mim).

A ex-noiva até aparece no mesmo café (ou restaurante) que ele estava, acompanhada de um outro cara, ele o vê e o encara, como se estivesse desdenhando da sua situação dele, pois ele tinha trocado ela por uma outra mulher, e ela com certeza sofreu na época, mas agora quem estava sofrendo era ele.

A última parte do encontro dos dois foi o que a gente achou mais tenso, pois acaba fechando todo o ciclo da estória. Mostrando a IU no papel de uma psicopata, que não tem sentimentos por ninguém, e do tal namorado, que tinha por ela uma espécie de adoração doentia. É uma cena surreal, mas que pelo que entendemos, o diretor quis mostrar uma fala fictícia em um cenário real.

Após a saída da moça (IU), o cara desolado, abre a caixinha, e ele se vê lá dentro, dando a entender, pelo menos para nós, Coreanas, de que a IU “o tinha na palma da mão o tempo todo”, ou “controlava sua mente e ele completamente”.

Será que beijar é crime?

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Nesse curta, nós somos apresentados a IU em uma vibe mais colegial. De todos os curtas, esse foi o que achamos mais “desinteressante”. Mostra a IU e sua amiga da escola. Pelo que deu para entender, a amiga era mais saidinha e ela aparece com vários chupões no pescoço, o que fazia com que ela vivesse com um lenço no pescoço para esconder os tais chupões.

Entretanto, ela morava apenas com seu pai, que era um cara bastante controlador, então não ficou tão claro se essa tal amiga sofria abusos (chupões etc) do pai, ou se ela era apenas namoradeira mesmo. Esse curta foi aquele que poderia não ter existido. Não faria falta.

andando à noite

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Esse curta fala sobre suicídio. Eu não recomendo esse episódio para quem sofre de depressão, ansiedade, pois pode ser um gatilho. O que nós vemos nesse curta é uma conversa entre dois adultos que tinham um relacionamento. Tudo muda de prospecção quando percebemos que os dois estão em um sonho. Durante essa conversa enquanto estão caminhando (o cenário bem melancólico), iremos acompanhar os possíveis “motivos” do suicídio, os locais que eles frequentavam e uma conversa sincera, mostrando a angústia de quem fica depois da partida de alguém tão amada. O tema não é abordado de maneira tão intensa, mas deixa uma reflexão sobre o tema. “Sonhos e morte não levam a nada. Eles não levam a nada e acabam esquecidos.”

De maneira geral, eu gostamos de Persona. Gostamos bastante da atuação da IU. Ver ela em diferentes pápeis foi bastante interessante. Se eu recomendamos essa série de curtas? Não sabemos. Depende muito da pessoa que vai assistir, pois pode ser que a pessoa não goste muito desse lance de analisar a situação e goste de algo mais direto. Então, é muito individual. Se você gostar desse textinho, talvez você curta Persona.

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