20/10/2021

Coluna Thaís Navarro: Dr. Prisoner

parei para pensar! “Dr. prisoner”: seria a vingança uma prisão?

*Esse texto possui spoilers moderados sobre o drama Dr. Prisoner

Confúcio já avisava, que se queremos nos vingar de alguém precisamos cavar duas covas.

Muitas vezes somos alimentados pelo desejo de causar danos a quem também nos causou. Queremos que a dor infligida na outra pessoa sirva como “aprendizado”.

Mas existe vingança saudável ou a vingança te aprisiona?

Além de um elenco fantástico, com 3 homens disputando o protagonismo nesse drama, o que particularmente foi sensacional na minha opinião é que me permitia refletir se existe bem ou mal ou se eles coexistem na mesma pessoa. Interessante que os três atores já fizeram papéis de vilões anteriormente, logo já imaginamos um boa briga.

O personagem feito pelo Namgoong Min poderia ter sido acusado por negligência médica? Com certeza! Porém, era essencial para a sua vingança e aumentou a riqueza de detalhes do roteiro. As doenças raras ‘fabricadas” pelo doutor Na Yi Je com certeza deram um caminho diferente ao gênero drama médico.

O meu personagem favorito é o Dr. Sun Min Shik que teve como ator Kim Byung Chul, um dos meus preferidos na Coréia. Esse personagem não tem escrúpulo nenhum, uma absoluta falta de lealdade com outros, afinal ele só é leal a si mesmo e apenas ambição e ganância pairam sobre o coração desse homem. Mas ele tem uma fraqueza, que não é esperada, mas, ao mesmo tempo, faz todo o sentido, porque pensando bem é uma forma diferente de egoísmo. Conseguimos vê-lo como humano, após conhecer sua falha, mas como ele é absolutamente instável e apenas se preocupa em se proteger ele muda de lado constantemente, ou seja, ele sempre está mudando de time sem nenhum remorso. O que é evidente e muito marcante é o fato de que todos sabem que ele é assim e que não vai mudar. E alguns preferem ignorar esse fato se isso trouxer algum benefício em prol de derrotar o maior vilão de todos.

Um drama médico que acontece dentro de uma prisão, mostrando a vida dos prisioneiros e dos funcionários daquele local, a diferença de classes, doenças raras e um lado raramente visto sobre medicamentos para doenças mentais. Vale a pena assistir devido à versatilidade do roteiro em abordar tantos temas de forma responsável e pela atuação desses três protagonistas.

O drama mostra que ninguém é bom ou ruim. Todos os personagens possuem falhas e erram de alguma forma. E mesmo sabendo que é natural torcer pelo Dr.Prisioneiro não tem como negar que ele não era correto o tempo todo, porque algumas de suas atitudes nos causam o sentimento de controvérsia e nos perguntamos se ele não está indo longe demais com a sua vingança. Será que os fins justificam os meios? Se a motivação é boa, tudo bem cruzar a linha?

Será que ele é tão diferente do Dr. Sun?

A meu ver, o roteiro foi feito para nos mostrar que ele foi ficando igual aos seus rivais, se tornando as pessoas que o motivaram a buscar vingança e penso que foi essa a genialidade do drama. Como se o senso de justiça e o desejo de vingança tivessem cegado uma pessoa boa. O final ainda provou que a vida é ambígua e barulhenta. E que com certeza ela não é preta e branca, mas sim cinza.

Vingança tem a ver com o desejo de punição e justiça, muitas vezes com as próprias mãos. Trata-se do desejo de revidar, de que a outra pessoa sofra o mesmo tanto, ou mais que sofremos por conta da ação desta pessoa.

Muitas vezes acreditamos que se vingar funciona como uma forma de liberação emocional que ajudaria a nos (sentir) melhor. Mas, na realidade, vingança tem o efeito oposto. O drama tem uma adrenalina e quando descobrimos o motivo real da vingança de Na Yi Je, vamos perdoando e culpando ao mesmo tempo. Uma crise moral elaborada. Será que é vingança ou é um ciclo de retaliação?

Então, como diria Frank Sinatra: “A melhor vingança é ser bem-sucedido”.

Quer descobrir se o Dr. Na Yi Je conseguiu se vingar? Ou se ele foi bem-sucedido? É possível conseguir às duas coisas?

Esse drama está disponível no Viki e no Kingdom Fansubs.

Se você viu o drama e percebeu que eu não falei do grande vilão da estória (interpretado pelo incrível Choi Won Young), eu o deixei de fora sim. Afinal, o mal parece óbvio. Mas o bem pode estar disfarçado de cinza.

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