20/10/2021

The Wind Blows: A ilusão do afastamento para esquecer

Contém spoilers do drama “The Wind Blows”

No retorno da minha coluna, não poderia voltar com outro drama, pois esse drama é a minha cara. É sofrência, com cada socão de realidade que chega a doer os olhos, mas lindo, emocionante e de uma delicadeza que não é fácil de ver nos dramas coreanos. Me representa muito. Além disso, é um drama de certa forma esquecido. Seu nome?  “The Wind Blows”.
 
“The Wind Blows” é um melodrama que foi lançado entre Maio e Julho de 2019 pelo canal de tv a cabo JTBC. Esse melodrama contou a história do Kwon Do Hoon (interpretado pelo Kam Woo Sung), que decide se divorciar da sua amada esposa depois que descobre que ainda jovem tem mal de Alzheimer, e que a cada dia a sua doença estava mais agressiva. E de uma mulher, a Lee Soo Jin (interpretada pela Kim Ha Neul), que decidiu se divorciar de seu marido, pois ela tinha o sonho de ter filhos. A trama se desenvolve depois de seis anos, quando ambos se reencontram e veem que a pior ou melhor lembrança é aquela que não podemos esquecer, pois está gravada dentro do nosso coração.
 
Como citei anteriormente, o drama se desenrola mesmo depois de seis anos, o que acontece por volta do quinto episódio. Nos episódios iniciais, seremos apresentados a descoberta da doença por parte do Kwon Do Hoon e os acontecimentos que são determinantes para que ambos decidam que é melhor a separação. Minha crítica negativa desse drama está nessa questão da separação. Achei que algumas cenas foram constrangedoras.
 
Por um momento, eu nem acreditei que estava vendo um drama da JTBC, mas decidi acreditar que era apenas algo deslocado. E foi. Passado o susto de alguns momentos dos quatro episódios iniciais, os últimos doze episódios foram um show de interpretação, emoção, delicada e sensibilidade.
“The Wind Blows” nos apresenta a uma armadilha ilusória do afastamento para tentar esquecer um sentimento. Uma estratégia muito comum de cairmos, quando acreditamos que se afastar é a melhor maneira. Muitas vezes por acreditamos que estamos certos, ou até mesmo por infantilidade, decidimos partir sem resolver as pendências. Pendências essas que estão na cabeça, e por horas dentro do coração, como foi no caso da Lee Soo Jin. Se precisamos nos esforçar para esquecer, é porque estamos lembrando da pessoa. Algo tão óbvio, mas que por horas não conseguimos perceber.
 
Mesmo separada, a Lee Soo Jin, sempre pensava nele. Não conseguiria e nem teria como esquecê-lo, pois em uma de suas investidas de engravidar (antes da separação), ela descobre que está grávida (e por mais alguns fatores que irei citar abaixo), mas decide cuidar da filha sozinha e não comunicar nada ao Kwon Do Hoon. Sim, ela foi bem infantil nessa questão. Por outro lado, ele decide se separar dela, pois não queria ser um fardo, quando descobriu que estava doente, mas também não conseguia esquecê-la. Ele até sabia da existência da sua filha, e acompanhava o seu crescimento em segredo. Ele decidiu negligenciar e ficar distante, tudo por um orgulho bobo. Durante seis anos os dois foram refém das suas memórias.
No entanto, o destino tinha que uni-los, e isso aconteceu. Os dois se encontram e a partir dai é que eu considero que a história começou de fato, pois iremos acompanhar a manifestação da doença no Kwon Do Hoon. A relação dele com a sua filha de seis anos, que até então só tinha a figura paterna no tio e agora tem um pai, mas em uma condição que por horas, a criança que tinha que cuidar e ensinar ao pai coisas simples do dia a dia. O cuidado da Lee Soo Jin com o Kwon Do Hoon. A relação da mãe dela se referindo a ele. Os diálogos eram revoltantes. A mãe encorajava a filha a simplesmente largar o seu companheiro de uma vida. De uma vida? Sim, de uma vida.
 
Quando comentei que tinha mais fatores para não esquecer um do outro facilmente, é porque os dois se conheceram ainda na universidade. Eles tinham realmente um relacionamento de uma vida. Os flashbacks dos dois jovens ainda na universidade são lindos e emocionantes. 
 
Mostrando quando os dois se conheceram, se apaixonaram e nos momentos que ainda eram dois estudantes sem condições financeiras tão favoráveis.
 
Sabe daqueles de comer só miojo e ainda agradecer por isso? Diante tudo isso, como simplesmente virar as costas para o amor da sua vida? Quando os dois se separaram, ambos estavam cheios de orgulhos bobos e eram imaturos, mesmo não sendo duas crianças. No entanto, a partir do momento que ela soube da doença dele, ela foi atrás da pessoa que amava. Ela percebeu que o afastamento não tinha sentido, pois ele era de fato o amor da vida dela. E ela era o dele também. Ela não via como responsabilidade dela, como cuidadora, mas como companheira mesmo. Para isso, a personagem fez o que alguém de sua idade tinha que fazer, confrontou a sua mãe e deu uma bela lição de moral quando estimulada a “seguir a sua vida”: “Você conseguiria virar as costas para o amor da sua vida? Como fazer isso?”.“Ele não lembra de mim, mas eu lembro dele.”
 
Além da relação do casal principal que é muito bonita e cheia de realismo, não poderia deixar de comentar as relações de amizade descritas nesse drama. Vou descrever duas. A primeira, foi a relação de amizade do Choi Hang Seo (interpretado pelo Lee Jon Hyuk) e do Kam Woo Sung. As cenas dos dois são lindas demais. Foram as que mais me emocionaram. O Choi Hang Seo é o tutor legal do Kam Woo Sung, mas antes disso eles eram amigos de longa data, desde a época do exército. Então, ambos se conheciam muito bem. O Choi Hang Seo poderia estar fazendo qualquer coisa, mas quando o Kam Woo Sung precisava dele, ele não excitava. O Kam Woo Sung não gostava de incomodar, mas o Choi Hang Seo não se importava. Fazia questão de acompanhar a sua rotina, mesmo quando ele estava com vontade de chorar ou chorava literalmente quando o Kam Woo Sung estava em meios aos seus lapsos da falta de memória. Amizade linda. Segunda relação de amizade, era da protagonista e do seu irmão. Sempre que ela precisava, ele estava pronto para ajudá-la.
 
Outro ponto interessante do drama é que se desenvolve um documentário dentro do drama. Por que isso ocorre? Foi uma forma de gravar a rotina do Kam Woo Sung, para que quando ele lembrasse da família e dos amigos no futuro, quando a doença estivesse mais severa. Passou cada um dos personagens comentando quem era, onde o tinha conhecido. Um show de emoção.

A evolução dos protagonistas é bem desenvolvida. Ponto positivíssimo para a atuação dos dois atores, principalmente do Kam Woo Sung. Sou fã da Kim Ha Neul e do Kam Woo Sung. Mesmo com os quatro primeiros episódios aquém para o nível dos atores, principalmente de caracterização, os atores estavam atuando bem, e foi o que me segurou para surtar e não dropar. Kam Woo Sung foi maravilhoso interpretando um personagem com mal de Alzheimer, desde o início (descoberto) até o nível mais avançado. O roteiro e a direção e as OSTs (principalmente) foram outros pontos a parte. Cada música perfeita e colocada com precisão em todos os momentos.

“The Wind Blows” é um drama profundo e maduro. Se você gosta de melodrama é só se jogar. Você vai amar.
 
Você assistiu “The Wind Blows”? O que achou?
 
Até o próximo texto.

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