23/10/2021

OH MY VENUS: A CONTROVÉRSIA EXISTE?

O drama de 2015 “Oh my Venus”, estrelado por Shin Minah e So Jisub é um dos mais conhecidos entre nós dorameiros. Se não assistimos, umas duas vezes como eu, pelo menos já ouvimos falar e sabemos bem do que se trata.

Em linhas gerais o enredo do drama é sobre uma advogada que durante a juventude era conhecida por ser a garota mais bonita da região. Era tão bela que poderia até concorrer a Miss Coréia.

10 anos depois, ela, que sempre priorizou estudos, inteligência e carreira ao invés de aparência, está alguns quilos acima do peso e um bocado mais distante da sua aparência da adolescência. De repente, seu mundo vira de ponta cabeça de uma vez só: o namorado a larga bem quando ela acha que vão noivar, uma ex-colega de faculdade volta com sede de vingança, começa a ter dificuldades no trabalho.

E como se não bastasse estar chutada, humilhada, no fundo do poço, ainda existia a chance de estar doente. 

Então é aí que entra em cena o protagonista: um treinador físico. Ela negocia com ele e o convence a treiná-la para perder peso e dar a volta por cima em sua vida, e por cima do ex também. 

“Oh my Venus” foi um dos primeiros dramas que assisti, e um dos que realmente aproveitei cada segundo da trama, do desenrolar do casal (que tem uma química incomparável), dos personagens secundários e até as cenas que eram somente alívio cômico. E o achei cheio de pontos positivos, um drama bastante representativo, levando-se em consideração a época em que foi transmitido. Hoje mesmo não existem dramas que fazem uma abordagem como ele fez.

E realmente achei que todos pensassem assim, que fosse um consenso ou algo do tipo, até que um dia uma colega me disse que odiava o drama pois, em suas palavras, “ele faz apologia e romantiza padrões de beleza e magreza com uma desculpa de ser saudável”.

Isso realmente me pegou com a guarda baixa e colocou para pensar. 

Claro que contra isso podemos argumentar sobre como a meta ela era alcançar o peso ideal, sua dieta e exercícios foi feita por profissionais e levando em consideração sua rotina e problemas hormonais, o técnico sempre enfatizava que ser saudável era mais bonito, a natureza dela de gostar de comer fast food e ainda assim não colocar aparência como prioridade número 1 de sua vida não mudaram.

Mas, ainda assim, poderiam dizer que “ele só passou a gostar dela depois que ela ficou magra”. Foi o que eu ouvi de resposta. E que a frase “Seu corpo é meu, e eu faço o que quiser” é problemática, para dizer o mínimo.

Essa conversa foi realmente impactante para mim, tanto que mais de um ano depois cá estou eu a trazendo à tona. Me caiu a noção de que duas pessoas podem estar assistindo a um mesmo conteúdo e entenderem coisas completamente diferentes, se atentarem a outros detalhes e tirar distintas conclusões.

“Oh my Venus” é uma obra em que eu vi um verdadeiro protagonismo feminino, onde ela era a energia motor do enredo, o personagem que trouxe todos os outros ligados. Além de ver personagens femininas decididas, competentes, capazes e que não se escondiam por nada. Trouxe abertamente e sem papas na língua a pauta de uma mãe solo, divorciada, que cria o filho e cuida do próprio negócio e, sim, cobra a pensão e que o pai visite a criança. 

Também é um drama que dialogou com a importância da alimentação correta, exercícios físicos e atenção ao seu próprio corpo, não por estética, mas saúde. Que distúrbios alimentares, como bulimia, e que sérios efeitos colaterais eles têm ao corpo. O protagonista podia ser um bonitão, mas seu estilo de vida era inteiramente por saúde. Uma de suas frases mais marcantes é que “ser saudável é o mais sexy”. Trouxe para mesa as doenças hormonais, como o que você come e a rotina que tem podem afetar o funcionamento dos seus órgãos. E que dietas e rotina de exercícios não devem ser feitas sozinhos, mas consulta e acompanhamento de devidos profissionais, pois seu corpo é o que vai carregar até o fim da sua vida, ele não é brinquedo. 

Já outras pessoas, podem ter visto o mesmo que minha colega: um discurso a favor de padrões de beleza, que você precisa ser magro se quiser feliz, se quiser que um homem bonito se interesse por você, os belos de verdade são os magros, o sucesso, dinheiro e satisfação pessoal vêm de uma boa e magra aparência 

Contudo, o ponto aqui hoje não é apontar quem de nós está certo ou errado, mas levantar pautas, trazer questões e refletir: a controvérsia realmente existe? Existe esse viés no enredo desse drama ou isso são apenas modos diferentes e pessoais de interpretar? Leituras diferentes?

Você, o que acha?

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