07/07/2022

LAR É ONDE O CORAÇÃO ESTÁ (SUNSET IN MY HOMETOWN)

Conforme vamos crescendo, experiências ruins, machucados e arrependimentos são inevitáveis. Faz parte de ser adulto. Melhor, faz parte de se estar vivo, vivendo. Pessoas vêm, chegam e ficam, outras, a maioria, não duram, se vão. E às vezes durante esse processo, quem vai embora somos nós mesmos.

E as consequências disso podem ser um preço alto demais para se pagar. Se perder na vida, em nossos planos e propósitos, fugir da própria história, ter a sensação de estar andando em círculos, estagnado, chegando a lugar nenhum, pequeno, todos os esforços parecendo ser em vão são sinais que podem levar um a se render de vez.

Visitar o lugar e as pessoas que fizeram parte da nossa história pode ser o que há a se fazer.

Foi esse tipo de mensagem que vi em Sunset in my hometown, um ótimo filme do qual não vejo muitos falarem.

O nosso protagonista basicamente fugiu do interior onde nasceu e passou a tentar ganhar a vida na capital Seul, queria ser rapper. Se apresentava em pequenos bares na noite, mas vivia mesmo com o salário de caixa em uma loja de conveniência. Havia participado da seleção para o Show me the money (um popular programa de televisão para revelar rappers) quatro vezes, mas nunca chegara muito longe na competição. Era famoso por toda temporada estar lá de novo.

Em tudo na sua vida, todas as coisas que tentava, parecia haver algo sempre o segurando no lugar, impedindo de ir além. O puxando para baixo até. Conseguir o que quer, suceder estando cada vez mais distante e fora do seu alcance. E permanecer na cidade também.

Então chega a notícia que seu pai está internado, correndo risco de vida. Ele não quer ir. Seu pai, que o abandonou na adolescência e nunca mais voltou, o grande rancor de sua vida, é a última pessoa que quer ver, com quem falar. Ainda mais nessa situação tão fracassada e patética, sua cidade natal é o último lugar para onde quer ir.

Mas mesmo assim ele vai e aí que finalmente começa a mudança em sua história.

De volta ao interior ele não visita novamente somente o pai e suas máculas, os lugares por onde andou quando mais jovem, as besteiras que fez. Não se trata apenas de memórias, passado. Ele revê pessoas, o primeiro amor por quem ele não sente mais nada, o garoto que ele subjugava que se tornou forte e poderoso a ponto de poder mata-lo e rico o suficiente para o contratar como funcionário. A garota que ele nunca deu atenção (interpretada por Kim GoEun, vale ressaltar), mas era quem gostava dele.

Sunset in my hometown se trata de enxergar a si mesmo e sua história com outros olhos, uma perspectiva diferente. É perceber os erros que ainda está cometendo e aprender com isso, perdoar, deixar o passado no passado e não carregar o pesado fardo do rancor e culpa, libertação. É perceber que você marca sim a vida das pessoas, elas lembram de você mesmo uma década depois. E uma palavra sua, pode ter ajudado ela a ser quem é hoje. 

Ei, você aí que está procurando inspiração.  Você inspira.

Quem aqui não precisa disso?

Ter olhos gentis para com a própria imagem. Encontrar a sua própria importância e valor. Sair do escuro, subir a colina e ver de novo aquele lindo por do sol que te enchia de sentimentos bons, força, esperança e a segurança de estar em casa, de que nenhum lugar estrangeiro seria tão bom quanto essa familiaridade. 

Lar é onde nosso coração está ancorado, mesmo que por dores. Lar é para onde temos que voltar em ordem de amadurecer. Lar é para onde queremos ir. Lar é onde posso encontrar aquele por do sol, me encher de forças e continuar. Lar é onde você se sente importante, especial. Lar é o seu lugar certo no mundo.

Nada é como o por do sol na minha terra natal.

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