28/10/2021

O imensurável valor de “My Mister”

Hoje, 10 de junho de 2020, o drama “My mister” está entrando no catálogo da Netflix, o que, sinceramente, eu considero a melhor coisa que aconteceu por ali esse nao junto a “Because this is my first life” em primeiro de janeiro(começando o ano muito bem). Você com certeza já assistiu, ouviu falar (e muito) ou considerou ver esse drama, ou talvez ainda não o conheça, de qualquer forma esse artigo foi feito para você.

Graças à aquisição de vários dramas, e até mesmo produção, por parte da plataforma de streaming muitas pessoas se sentem mais interessadas, curiosas e dispostas a assistir as obras coreanas, pois elas estão mais visíveis, próximas e acessíveis. Isso é simplesmente excelente! E My mister era um drama que, mais do que merecia, precisava estar lá, pois as pessoas necessitam assisti-lo.

Finalmente esse dia chegou.

Estrelado por IU (cantora e protagonista de Hotel del Luna e Persona) e Lee Sun-Kyun (eu poderia citar muitos dos seus trabalhos, mas vamos deixar só o filme Parasita), My mister é um drama da tvN, que foi ao ar entre março e maio de 2018. Conquistou os prêmios de melhor roteiro e melhor drama de TV, além de ter sido indicado em outras categorias, teve episódios de duração mais longa que o comum desde a sua estreia.

Porém isso são apenas detalhes técnicos, números, flores que enfeitam a “embalagem” de uma obra que nunca poderá ser reduzida a uma coisa só, descrita em sua totalidade, completamente compreendida absorvida e sentida ao se ver apenas uma vez. My mister fala da vida, e assim como ela, sempre existirá algo novo para se aprender, notar e maravilhar enquanto existir.

Em 16 episódios o roteiro caminha com uma fluidez e tato incomparáveis pelo que há de mais sórdido do humano, mais baixo, vil, desprezível e canalha. Mas também nos dá na sua dosagem específica, o que pode existir de mais belo, puro, sincero e admirável em uma pessoa.

Ele me mostra a doença, mas não me deixa sem o antídoto.

Eu poderia passar horas aqui escrevendo sobre todas as coisas diferentes que aparecem nesse drama, como os personagens são em sociedade como resultado dela própria; o sentir pena de si mesmo; sentir-se morto mas ainda respirando e andando; a indulgência eterna pelos erros que cometeu no passado; o homem que sofre e tem inimigos sem ter feito mal a ninguém; os laços que existe entre família que são mais fortes que qualquer tempestade; e os laços com a sua família que não é de sangue; que ninguém merece ter um velório vazio e não se deve morrer no dia em que não se está usando roupa de baixo boa.

Mas hoje eu quero só me ater a um aspecto. Um só: nós podemos nos apoiar uns nos outros para não cair. Ainda podemos confiar uns nos outros.

Sofrer sozinho e calado só aumenta mais ainda o fardo que carregamos. Os dias são mais longos que tudo, a vida é um peso que não se aguenta mais segurar. É difícil respirar, se mover, ver a luz, enxergar esperança e bondade em algo. A imagem que temos de nós mesmos é distorcida e nos julgamos não merecedores de verdadeira felicidade. Os outros também estão borrados, só mentem, se aproveitam, vão nos abandonar e sua oferta de ajuda é pena.

Mas, a verdade é que, se temos alguém ao nosso lado, pessoas que são como nós, também estão lutando, também estão sofrendo e sentindo-se morrer por dentro, contudo são pessoas boas e sinceras, as nossas dores serão acolhidas, entendidas e derramadas. O peso passa a ser distribuído, e talvez nem exista mais fardo.

Quando estamos sozinhos tudo é mais difícil. Mas graças ao exemplo de alguém, ao fato dessa pessoa estar ao seu lado mesmo com toda a dor e feridas dela, podemos aguentar firme, apoiarmos um no outro. É possível ser salvo graças a outra pessoa, você só precise a deixar ela entrar.

My mister, entre muitas coisas, me mostrou que ainda há esperança, que devemos pensar na nossa felicidade, que existem pessoas boas e estar cercado de bem, enche nossa vida e a nós mesmos do que é bom. Nesse mundo louco, todos nós estamos lutando, alguns estão até mesmo acabados, mas não quer dizer que precisamos estar sozinhos e abrindo mão do direito à felicidade.

Essa foi uma pobre análise sobre essa obra que é tão grandiosa. Jamais terei a capacidade de falar e fazer justiça ao que significa para mim e tantos que assistiram. Mas para encerrar deixo aqui algumas citações.

“A vida, de certa forma, é uma luta entre forças internas e externas, também. Não importa o que aconteça você será capaz de aguentar qualquer coisa se tiver forças internas o suficiente.”

“Vamos ser feliz, amigo. Não é grande coisa.”

“- Eu estava preste a morrer, mas você foi quem me salvou…

– Eu realmente vivi minha vida pela primeira vez porque eu conheci você, Ahjussi…”

“Por que você está se pressionando a viver uma vida que não desejaria nem para outra pessoa? Você tem que ser feliz primeiro. Não use a palavra ‘sacrifício’ novamente.”

Assistam My mister.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores originais e não refletem necessariamente a opinião das Coreanas de Taubaté.

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