28/10/2021

ALEX REID: A PRIMEIRA CANTORA AFRO-AMERICANA DO K-POP VAI ESCREVER SOBRE SUA EXPERIÊNCIA COMO IDOL

De BLACKPINK e NCT 127 a GOT7, a indústria do K-pop, ultimamente viu um notável aumento na diversidade em relação às nacionalidades dos integrantes e origens raciais. Mas ainda assim, a composição étnica e regional de talentos de K-pop internacionais, hoje é amplamente orientada para o leste e sudeste da Ásia.

Levando isso em consideração, não seria exagero chamar a cantora pop americana Alexandra Reid de pioneira, uma representante da mudança para a indústria, ainda vista como racialmente uniforme.

Reid foi a primeira cantora afro-americana do K-pop, ativa por quase dois anos a partir do final de 2015, depois de se juntar ao girl group coreano Rania, que mais tarde foi renomeado de BP Rania. Ela foi uma integrante ativa durante as promoções do EP “Demonstrate” e “Start A Fire” do grupo.

Em uma recente entrevista realizada por e-mail para a agência de notícias da Yonhap, Reid, que atualmente reside nos Estados Unidos, disse que está trabalhando em um memoir (um registro escrito da própria vida e experiências de uma pessoa geralmente famosa), que reflete sua experiência como idol coreana no passado, juntamente com um novo álbum.

“Meu livro é uma história que tem como tema ‘contra tudo e todos’, o quão longe eu estava disposta a ir pelos meus sonhos. Abrangi todos os altos e baixos, aventuras e reflexão que tive como idol. Mostro um panorama completo dos bastidores da vida de um idol”, disse Reid.

Reid disse que vai falar sobre os segredos de sua experiência como idol do K-pop. “Estou dizendo a verdade e nada além da verdade, o que tem sido terapêutico, mas também me leva a ansiedade às vezes”.

Uma foto de arquivo de publicidade da cantora pop dos Estados Unidos Alexandra Reid, ex-integrante do girl group BP Rania e a primeira cantora afro-americana da indústria do K-pop (FOTO NÃO ESTÁ A VENDA)

Para Reid, destacar-se como a primeira estrela preta do K-pop veio com seus altos e baixos.

Ela lembra que recebeu apoio esmagador e uma enxurrada de elogios por ser uma “fonte de motivação para os fãs a perseguir seus sonhos”.

Reid disse que se orgulha de representar e sua herança afro-americana dentro do K-pop.

“Ajummas (mulheres de meia-idade) me paravam na rua para dizer como sou bonita. Não esperava isso, mas aconteceu muitas vezes. Recebi um apoio muito grande do público coreano e internacional”, lembrou Reid.

Ao mesmo tempo, as experiências de bullying online sobre sua raça e aparência ainda são frescas em sua memória. Enquanto nada foi divulgado publicamente, sua saída do BP Rania supostamente não foi em bons termos também.

“Houve insultos raciais contra mim, ignorância, comentários que eu apenas não parecia certa para estar no palco do K-pop e nunca me encaixaria. E até mesmo que eu arruinava o K-pop”.

No entanto, Reid disse que ela direcionou para o todo e em impulsionar mais sua carreira no K-pop, para inspirar outros a serem melhores.

No final, a quantidade de apoio positivo abafou os comentários dos pessimistas, lembra Reid.

“É tão poderoso ter a oportunidade de inspirar os outros. Isso falou muito mais alto pra mim do que o ódio. Ultimamente, o K-pop é realmente a máxima do pop, no que me diz respeito, e se eu poder abrir essa porta para todas as tons e cores, esse é o maior feito que eu poderia esperar”.

Reid disse que percebeu o aumento do público do K-pop de hoje, nos Estados Unidos.

Ela cita a “visão de mundo mais ampla” da geração mais nova dos Estados Unidos, como parte da razão por trás do sucesso explosivo do K-pop.

“Quando eu era pequena e amava o K-pop, zombavam de mim. As pessoas me diziam “você nem sequer fala chinês”, o que é obviamente racista. Isso me fez entrar em uma concha e não dizer a ninguém que eu era fã do K-pop”.

Ela acrescentou: “Agora, esse tipo de comentário faz você ser cancelado por seus colegas. Viver em uma bolha e ter mente fechada não é mais considerado legal, portanto, há muito mais espaço no mercado para diversos atos musicais”.

Reid também elogiou o rapper Suga do BTS e a recente decisão da Big Hit Entertainment de re-lançar “What do You Think”, uma faixa incluída no álbum de mixtape de “D-2” de Suga, em meio a uma controvérsia sobre uma sample do áudio.

A canção, lançada no final de maio, ficou em evidência, após alguns ouvintes descobriram que um clipe de áudio do líder de uma seita americana Jim Jones, associado ao famoso suicídio de massas, em Jonestown, Guiana, em 1978, foi usado na música.

“BTS e Big Hit continuam sendo grandes exemplos de aprendizagem, evoluindo e espalhando uma mensagem de amor e aceitação. Não há problema em cometer um erro. Não há problema em não saber. Tudo bem ser ignorante, às vezes, contanto que você esteja pronto para corrigir seu erro e crescer”, disse Reid.

Fonte: Yonhap

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