28/10/2021

ALEX REID É A PRIMEIRA AFRO-AMERICANA DO K-POP

Alexandra Reid do Rania em seu MV, “Start A Fire”.

Ser o rosto da mudança não é fácil para Alexandra “Alex” Reid, mas está envolto em cores brilhantes e música cativante. Reid entrou para o girl group coreano BP Rania em 2015 e tornou-se a primeira integrante afro-americana do grupo feminino de K-pop. Enquanto existem muitas estrelas do K-pop que não são coreanas, e vários outros cantores com descendência coreana notáveis, como Yoonmirae e Michelle Lee, Reid representa o olhar cada vez mais internacional do gênero.

Mas desde que tornou-se uma estrela do K-pop, Reid enfrentou inúmeras dificuldades: falta de comunicação, e têm tido dificuldade com as diferenças culturais, enquanto cada movimento seu é analisado tanto pelos apoiadores quanto pelos opositores da diversidade no K-pop.

Ficar calada não é da natureza de Reid, e as mídias sociais têm sido seu principal meio para abordar assuntos que lhe afetam e lhe são importantes, tanto relacionado a sua carreira quanto ao mundo no geral. Após Donal Trump tornar-se o 45º presidente dos Estados Unidos, Reid tornou-se uma das únicas estrelas americanas do K-pop a abordar a política dos EUA – apesar dos asiáticos-americanos terem um papel importante na indústria musical coreana.

“Existe coisas lá for, onde você não está apenas [supostamente] se metendo em problemas”, Reid disse ao Billboard pelo telefone de, Seul. “Para mim, nada vale a pena a não ser que eu sinta que estou fazendo algo positivo. Não há nenhuma razão para você ter uma vida pública ou ter pessoas olhando você, se não estiver dando algo para elas aprender, entender, e defender o que você acredita ser certo”.

Em uma variedade de tweets desde o dia da posse, Reid apoiou a marcha das mulheres e saiu contra a política de imigração de Trump e sua ordem executiva anti-aborto em relação à “lei mordaça”.  Após a proibição da imigração, ela declarou seu apoio aos muçulmanos. A saúde das mulheres e a postura geral da administração em relação à ciência preocupam Reid, levando em considerando que seu pai é um cientista e ela é uma grande amante da física.

“Para mim, não há nada de bom para dizer sobre Donald Trump, esse é o problema”, disse ela. “Esperar pelo melhor não é uma opção neste momento. Ele é tão agressivo. Ele é tão agressivamente hediondo. Para mim, não há nada mais importante do que proteger as pessoas. As pessoas que vão ser afetadas são as mais vulneráveis, e esse é realmente o problema aqui. São as pessoas sem uma voz que acabam por sentir os efeitos do que ele está fazendo. Não há nada mais importante do que falar em nome das pessoas que não têm voz”.

Apesar da relutância geral do K-pop em relação à política, a própria presença de Reid na indústria racial uniforme é controversa. Como uma mulher afro-americana na Coréia, ela vive em um padrão mais elevado do que o estilo de vida rigoroso típico que as estrelas do K-pop seguem para manter seu lugar na indústria. Ela foi acusada de tudo, desde clarear sua pele para parecer mais branca, para se apropriar da cultura coreana. Após uma sessão recente de fotos do ano novo Lunar com o Rania, usando roupas coreanas tradicionais, Reid sozinha enfrentou críticas importantes por ousar usar a roupa; ninguém questionou se a integrante chinesa do BP Rania deveria estar usando roupas coreanas.

“Se eu não falar coreano suficiente, ‘Alex não sabe nada de coreano e não deveria estar lá’”, lembrou Reid. “Quando falo coreano, ‘Oh, Alex tem um sotaque. Ela parece americana. Não, não, ela não deveria estar lá’”. Se consigo falar bem coreano, é tipo: ‘Ok, ela provavelmente acabou de memorizar essa frase. Ela sabe algo mais?’” Aconteceu muita coisa de todos os lados. Tive meus momentos de choro, mas agora estou feliz, e me sinto bem”.

Enquanto ela passou por suas dificuldades, Reid viu uma demonstração de apoio de fãs ao redor do mundo, que a veem como uma representante para os fãs de todas as etnias entrarem no K-pop; muitos enviaram mensagens de agradecimento por ela ter quebrado a barreira da etnia no K-pop.

Mas com o elogio veio o menosprezo, particularmente tudo relacionado a sua aparência, que pode parecer como se Reid estivesse tentando se coreanizar.  Ela enfrentou acusações de branqueamento e, recentemente, críticas massivas por não aparecer com seu cabelo cacheado natural, enquanto promovia  recente lançamento do grupo, “Start a Fire”.

“Quero o cabelo natural”, declarou Reid. “Ele está liso, porque ninguém consegue fazer meu cabelo. Eles nos levaram ao mesmo salão e ninguém de lá conseguiu arrumá-lo. Todo o meu cabelo desmanchou [durante o] último comeback. Acordei duas horas mais cedo durante o ‘Demonstrate’ para lavar, secar e arrumá-lo. Eu já fiz minha própria maquiagem, porque eles não conseguiam fazer. Com o meu cabelo em cima … Eu estava tão desgastada e exausta durante ‘Demonstrate’ que desta vez havia decidido [isso] iria me dar uma folga e o deixaria liso. Gosto mais do meu cabelo encaracolado. Só que com essa agenda, não consigo. É demais. Preciso dessas duas horas de sono”.

Mas, apesar da falta de descanso e das críticas constantes, Reid viu uma demonstração de apoio e ela ainda está motivada pelo K-pop tanto quanto estava quando o descobriu no YouTube há vários anos. Citando Ivy, T-Ara, Baby Vox, BIGBANG e 2NE1 como seus primeiros amores no K-pop, Reid está determinada a abrir seu caminho no gênero como uma cantora que faz história, mesmo que ela nem sempre se conforme com as normas da indústria.

Fonte: Billboard.

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