28/10/2021

A PIECE OF YOUR MIND: PORQUE CONTINUAMOS A ACALENTAR O PASSADO?

Ultimamente não tenho cansado de dizer o quanto esse drama chegou como quem não queria nada e me cativou completamente. A piece of your mind já se tornou um dos meus xodós dos dramas atuais com sua história sensível, calorosa e com elementos de alegorias e metáforas únicos. 

Na trama, Ha Won (interpretado por Jung Hae In) é um programador que tem trabalhado no desenvolvimento de um dispositivo de voz voltado para diversos tipos de tratamentos terapêuticos, e para o protótipo teste ele se usou, conseguindo criar uma inteligência artificial que é como ele mesmo, com sua voz, personalidade e memórias. 

Por meio de conversas contínuas ela vai se desenvolvendo e ficando cada vez mais parecia com ele, mas ainda assim não parece “viva”, pensando independentemente, é como qualquer outra IA só que com sua voz. Até que ao falar dela, Ji Soo, seu primeiro e único amor até hoje, o Ha Won do dispositivo é “trazido para fora” e se torna consciente e dono de todas as memórias que foram postas ali. É tão vivo quanto o verdadeiro. 

Mesmo que o objetivo da invenção não seja esse, o fato dele ter usado a si mesmo como cobaia tem um peso simbólico muito forte para a estória, o de imortalizar, perpetuar as suas memórias ao lado de Ji Soo, deixá-las tão vívidas como se tivessem acabado de acontecer. Talvez, ouvir a “si mesmo” contando as histórias dos dias em Oslo quando eram jovens, Ha Won por instantes pudesse sentir que ainda vivia naquele momento, que esse tempo não havia passado, mas estava congelado em algum lugar que ele poderia visitar a qualquer momento e viver novamente. 

Quando Ji Soo morre ele faz o mesmo: cria um dispositivo com sua voz e personalidade, como mais uma forma de se agarrar a ela, fazê-la eterna, presente, perto, não consegue deixá-la ir. O que foi inventado para ser terapêutico, ironicamente, tem o efeito contrário para seu criador. 

Ha Won claramente vive preso a uma época que já é passada. É um homem adulto que ainda sonha com seus dias de adolescência ao lado de uma garota que também cresceu e se tornou outra pessoa. Não é simplesmente nostalgia, ou uma apreciação, é onde sua mente e coração vivem. Foram os melhores momentos de toda sua existência e correria de volta para eles se pudesse. Ele acalenta tanto seu passado e memórias pois sabe que é somente lá que ele tem a sua amada Ji Soo, no presente isso não existe. 

Olhando para ele fico a pensar em quantos de nós também estamos assim, fisicamente no presente porém mental e emocionalmente em algum momento do passado. Quantos ainda revivem todos os dias a memória dolorosa de algum trauma como se estivesse acontecendo de novo, outros não conseguem arriscar e dar um passo à frente pois ainda pensam na experiência que tentaram e não conseguiram. E até mesmo os que estão igual a Ha Won, pensando que o melhor de suas vidas já passou e nada mais bonito que isso por estar vindo pela frente.  

Eu provavelmente sou uma dessas. Presa em uma traição e não conseguindo confiar; pensando na reprovação e não acreditando no que sou capaz; apegada a uma amizade e achando que nunca mais terei uma ligação com essa com ninguém; revivendo memórias do meu primeiro amor e achando que esse é o único amor que terei. 

Exatamente como Ha Won que é tão como nós, precisamos olhar para o passado, mas viver no presente e esperar pelo futuro. Abrir os olhos e ver a quantidade de coisas maravilhosas que nos cercam, que estavam ali o tempo todo e fomos cegos demais para ver. 

Ji Soo tirou o Ha Won artificial para fora. Seon Woo tirará o verdadeiro. E você, o quê vai te trazer para fora? 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: